17/07/07

Cheira a bolor, não cheira ?



No tempo do "Estado Novo", expressão light para o período fascista em Portugal, era assim: sempre que o Presidente da Câmara tinha o incómodo de sair do gabinete e se deslocava a uma paróquia, era certo e sabido que era orquestrada uma festarola em sua honra e que a Banda Filarmónica da terra ou uma qualquer emprestada, lá ia abrinhantar a presença da ilustre figura. Era recebido à entrada da localidade e seguia envolto nas mais celestiais partituras que a composição filarmónica fosse capaz de executar.

No fundo, fazia-se de conta que era Deus na terra! E deviamos todos ficar gratos pela preferência e pelo incómodo a que se prestava sua Excelência. Não faltaria a seu lado (para reforçar as conexões divinas e benzer tudo o que Sua Excelência dissesse e fizesse) o Bispo da zona.

Foi assim no Concelho de Loures durante 48 longos anos. Estaremos de volta a tão bolorentos, obscurantistas e repressivos tempos ? Já não há cerimónia que não tenha representante divino, a benzer, a benzer, a benzer...

E agora, também já temos as Bandas Filarmónicas a abrinhantar as visitas do Presidente da Câmara, como é o caso de Bucelas, onde Sua Excelência já não se desloca sem música e desfile a condizer.

Associado à crescente arrogância e autoritarismo do Governo, esta espécie de caciquismo, orquestrado a partir de uma respeitável e centenária Colectividade, exala um estranho odor.

Cheira a bolor, não cheira?

13/07/07

Demagogia também anda de segway ?



A agência noticiosa Lusa, divulgou uma notícia que, mais coisa menos coisa, saiu assim em alguns jornais: "A Câmara de Loures testou veículos Segway enquanto possíveis “alternativas ecológicas” aos meios de transporte no município, revelou à Lusa João Galhardas, vereador do Ambiente. Os veículos Segway, compostos por duas rodas separadas por uma plataforma para o condutor e por um volante que, através da inclinação dada pelo corpo do próprio utilizador, viram e andam na direcção pretendida, gastam um euro de energia por cada 600 quilómetros percorridos e têm um custo de cerca de 5700 euros por unidade. O teste feito pelo vereador do Ambiente consistiu na realização do percurso entre o Departamento do Ambiente e o Palácio Marquês da Praia, onde se realizou uma reunião camarária, num total de 2,3 quilómetros percorridos em perto de sete minutos. João Galhardas escusou-se no entanto a revelar quem utilizaria estas viaturas em caso de investimento municipal."

Note-se bem o último período do parágrafo. O Senhor Vereador do Ambiente não sabe muito bem para quê ou para quem o segway pode servir na Cãmara Municipal. Portanto, ou achou graça ir para a reunião de Câmara num veículo modernaço e pronto, fica por aí. Ou então, calculou que a coisa caía bem para a fotografia e para render espaço nos jornais e lá conquistou as suas 10 linhas de glória...

A interpretação pode bem ser que, agora, a demagogia nos chega por segway...

É que no tempo de um outro Vereador do Ambiente a Câmara Municipal de Loures assinou um Protocolo com a Valorsul que estabelecia a oferta, por esta, de um autocarro movido a energia alternativa. O Protocolo foi aprovado por unanimidade em Reunião de Câmara e não foi alterado até hoje. Contudo, a actual gestão municipal, não quis saber nem de Protocolo, nem de energias alternativas para nada e aceitou um problemático autocarro alimentado ao fóssil gasóleo.

A menos que os segway's venham a servir para substituir o autocarro - que devia ser um exemplo e não é - e as crianças das escolas, passarão a deslocar-se para o Parque Urbano de Santa Iria de Azóia cada uma na sua "máquina" ambiental ou então, só pode concluir-se que esta foi apenas e só uma operação de demagogia barata.

A demagogia também anda de segway ?

10/07/07

Zitarela ou profissional da dissidência ?



Estava no gozo de uns retemperadores dias de férias, quando, na passada semana, me vejo confrontado com uma "grande entrevista" à senhora dona Zita Seabra. Comecei a perceber que a senhora não tinha feito nada de novo, nem de extraordinário, mas tinha direito à dita "grande entrevista" por causa de um passado longínquo... e inexplicável. Agora é que ela vai pôr tudo em pratos limpos!

Algo surpreendido, deixei-me ficar a ouvir. É evidente que surpreendido, porque se depois de ter deixado o PCP há muitos anos, se inscreveu no PSD, já foi vereadora por esse Partido na Câmara de Vila Franca de Xira, é agora deputada social-democrata e tem - diz-se - a actividade profissional de editora, vem agora editar um livro dedicado ao PCP ?!... Não haverá nenhum feito recente, uma causa que valha a pena, uma proposta ou projecto com futuro ou para o futuro? Só tem passado ?

Ainda pensei que podia ser manobra televisiva para chamar a atenção dos telespectadores e que a senhora se dedicaria a falar sobre, sei lá, um passado mais recente que fosse.

Mas não, assumiu mesmo o papel de dissidente profissional, ou seja, faça a senhora o que fizer no passado recente, no presente ou no futuro, será sempre consultada em matérias de dissidência. É uma especialista, uma profissional. E não uma dissidente qualquer, uma dissidente do PCP, o que confere um cunho especialíssimo à especialidade. Efectivamente, a comunicação social e os seus critérios são às vezes uma verdadeira delícia.

Bom, mas lá ouvi (não tive paciência para ouvir tudo e já digo porquê) umas quantas meias verdades, para sustentar a sua posição e o seu "profissionalismo", como a excelente tirada de que sempre se opôs à unificação da UEC com a UJC, mas sem explicar as verdadeiras razões porque se opôs. Alguém se lembra de que a senhora, após a unificação ficou sem o protagonismo que tinha na UEC ?!... Será uma explicação bem mais prosaica, mas talvez bem mais realista, não?!

Mas o que me implodiu a paciência foi o conto de fadas que ali levou com tanta candura e que se pode resumir na seguinte fórmula: "Era uma vez... estava tão entregue à causa, tão entregue à causa, que era uma verdadeira escrava. Não sabia que fora da cozinha escura onde a madrasta má e as irmãs péssimas a encerraram, também havia mundo, vida, passarinhos e... só um dia em que encarou com um princípe encantado e experimentou o sapatinho, foi libertada do jugo opressor da bafienta cozinha, para o mundo, a vida e a mais completa liberdade. Casou e foi muito feliz para o resto da vida...". (onde é que eu já ouvi/li isto?)

Arre porra, que não há pachorra para estas tretas. (foi aqui que passei para o canal do lado, como bem se percebe)

Mais, a senhora dona, de quem se diz que é editora, deveria ter o sentido ético e profissional de não nos vir vender como uma história nova, a velhíssima história da Cinderela, recauchetada de Zitarela. Como a maioria das cópias e plágios, é a mesma história em pior. Acha que somos todos parvos ou é preciso uma ajudinha do "povo" para evitar a falência de alguma editora ?

Justifica-se perguntar: estamos perante uma Zitarela da vida quotidiana, uma editora aflita ou uma profissional da dissidência que nos conta histórias como se fossemos bébés de embalar?

22/06/07

E se passar a ser assim ?!...



A empresa Proambiental prestou um serviço à Câmara Municipal de Loures e não foi paga por isso, muitos meses depois. Ontem, dia 21 de Junho de 2007 (assinalo bem a data porque pode vir a ser um dia histórico) fez uma manifestação à porta dos Paços do Concelho exigindo ser paga.

É conhecido que a Câmara de Loures tem vindo a protelar pagamentos a um nível nunca visto. O discuRso de justificação também é conhecido: "não há dinheiro. E a culpa é dos outros que cá estavam", transformando-a numa justificação corriqueira, banal e mesmo já bolorenta. Este Executivo está em funções há 6 anos. Pois 6 anos. E não teve ainda tempo para corrigir as "malfeitorias" do passado?

Acresce que a Câmara de Loures teve de saldo nas contas de gerência, cerca de 10 milhões de euros. Ou seja, em 2006, sobraram-lhe 10 - milhões - 10 que não foram aplicados em investimento, nem a pagar aos fornecedores. Ou há alguma expectativa que a coisa venha a medrar e a transformar-se numa fabulosa fortuna ou então não se percebe uma tal gestão dos dinheiros públicos, ainda por cima suportada pelo discurso miserabilista de que não há dinheiro.

Tenho de reconhecer a coragem do novo Vereador do Ambiente. Acabou de chegar, mas foi dar o corpo às balas. Começa a perceber-se o papel que lhe destinaram (o PS e a Distrital do PSD): o de homem para todo o serviço, servir de muleta, guarda costas e sabe-se lá que mais. Reconheça-se que o fez com galhardia!

Para um observador externo, a argumentação de que "a empresa comprometeu-se a fazer o serviço em 36 dias, o que não aconteceu", colhe pouco. E passo a explicar: quando é emitida uma factura que não corresponde ao serviço prestado, é obrigação da entidade adjudicante, proceder à sua devolução justificando a inconformidade entre o serviço prestado e o facturado. Ora, se passado todo este tempo a Câmara não devolveu a factura, é por que aceitou como boa a factura recebida e se não pagou no tempo próprio, então DEVE!...

Portanto, é fácil perceber que o Sr. Vereador prestou publicamente as explicações que lhe "sopraram", mas foi enganado. Foi para a luta, mas deram-lhe munições de pólvora seca. Está visto que vai ter de manter uma moral muito elevada para continuar a travar as batalhas dos outros, desarmado, desapoiado e aldrabado. Diz o povo que cada um faz a cama em que se há-de deitar...

Imagine-se agora que a Proambiental abriu um ciclo em que os fornecedores credores, em vez de enviar ofícios a pedir pagamento, passam a fazer manifestações à porta da Câmara Municipal de Loures. As divídas são tantas e variadas que não poderá ser sempre o Vereador Galhardas a tentar desculpar a coisa. Ele não tem o Pelouro das Finanças, nem é Presidente da Câmara. Haverá por aí alguém da maioria PS para enfrentar os problemas que cria ?

E SE A PARTIR DE AGORA, PASSAR A SER ASSIM ?!...

19/06/07

O ridículo mata ?



O Parque Urbano de Santa Iria de Azóia está coberto de mato, alto, enlaçado, prometendo fogueira grossa. Entregue à gestão calamitosa do PS, só o mato teve força para ali crescer, tudo o resto minguou...

Falta a manutenção e a atenção, pelo menos da parte daqueles que têm a responsabilidade da sua gestão, de cuidar da coisa pública, de disponibilizar à população nas melhores condições um equipamento colectivo que a todos custou conquistar e pagar.

Mas há, entre o povo, quem esteja atento. E foi assim que alguns populares constatando a altura dos "matos" que ali vingam e proliferam, decidiram - para seu uso é certo - capinar uma parte do imenso matagal, para alimentar os coelhos que criam nos seus quintais.

Aqui d'el rei que não podem, que é uma heresia, que o regulamento proibe, proclamou uma menina que se dá ares de quem manda lá no sítio. A coitada nada sabe da coisa, infelizmente nem desconfia o bem que estava a ser feito, mas qual quê andar-se a inflingir o regulamento. Ela é ali a guardiã da moral e dos bons costumes! (que nunca a justiça divina se aplique com critério e rigor, digo eu.)

A verdade é que não é um Regulamento, mas pronto, a ignorância é a ignorância e esta é uma ignorância miúda, comparada com outros dislates costumeiros por quanta rapaziada que se dá ares de entendido sobre coisa nenhuma, por essa Câmara fora.

E o que diz então o tal Quadro Normativo, promovido a Regulamento pela senhora doutora da mula ruça? Simplesmente que nos termos da lei geral e dos regulamentos municipais em vigor, constitui contra ordenação:a) destruir ou de qualquer forma danificar´equipamentos, árvores e demais vegetação (Artigo 12º)

Em suma, em vez de cuidarem dos equipamentos, das árvores e da vegetação que o Parque Urbano merece, que devia ter e não tem, procuram encarniçadamente afugentar quem - ainda que inconscientemente - lhes limpa o mato e a vegetação que deixaram chegar a um estado de decadência que já para pouco mais pode servir que para dar aos coelhos ou arder. Está-se mesmo a ver qual será o menor dos males... Ou não ?!...

RESTA PERGUNTAR: O RIDÍCULO MATA ? O povo diz que sim!

16/06/07

Controvérsia. E os nabos ?



A imagem é já famosa. Pelo menos na "rede". A controvérsia, essa, decorre da democraticidade própria da internet.

Uns dizem que a legenda apropriada (com o seu quê de insólito) seria "um nabo político estrafega um nabo agrícola", simbolizando o que se está a passar na Várzea de Loures, onde este Presidente da Câmara autorizou tanta construção que não vão caber mais nabos nenhuns, a não ser os que para lá forem morar;

Outros dizem, que o Presidente da Câmara de Loures "acabou de escolher mais um assessor", o que, dizem com pertinência, corresponde à situação conhecida de o homem estar rodeado de assessores, cada um mais nabo que o outro. Há mesmo aqueles que com perfídia acrescentam "um nabo político, só pode escolher nabos políticos para assessores...e até mesmo para vereadores";

E há agora uma outra versão, para baralhar a discussão: dizem que afinal, não senhor, o nabo que está na mão é um Presidente da Junta, daqueles que se borrifam para a freguesia em que foram eleitos, desde que estejam na mão (do Presidente da Câmara) e lhe cheguem ao coração, porque não enjeitariam um lugar... na vereação.

A CONTROVÉRSIA VEIO PARA FICAR. E OS NABOS ?

08/06/07

Que Caminho para que Destino ?



Consta-se no meio editorial e político que a Editorial Caminho foi vendida a Paes do Amaral. Consultado o site da editora, nada encontrei sobre o tema, mas asseguram-me fontes bem informadas que o negócio está já consumado.

O que terá levado o PCP "accionista" a vender a Paes do Amaral capitalista, uma das mais prestigiadas editoras portuguesas, onde pontificam alguns dos melhores autores portugueses, com destaque para o prémio nobel José Saramago ?

Ou a oferta foi absolutamente milionária e, portanto, irrecusável ou a venda de activos desta natureza e valor só ocorrem porque quem vende precisa libertar-se de um fardo ou realizar dinheiro para outras necessidades prioritárias.

Donde resultam as interrogações: a proposta foi milionária e os ex-detentores da Caminho vão ter agora um futuro tranquilo e feliz ? A Caminho era já um fardo insuportável ? Ou estava a ser necessário realizar dinheiro urgentemente ?

Uma coisa me parece certa, vender uma jóia da coroa, é sempre um sinal de fragilidade e um desapontamento. Ainda por cima, porque levanta muitas preocupações para o futuro e não apenas para o domínio da edição literária...

E AGORA, QUE CAMINHO ?

01/06/07

Que raio de gestão autárquica é esta ?



"Se alguém fizer greve não faz nem mais uma hora de trabalho extraordinário", bradou alto e bom som o Presidente da Junta de Freguesia de Sacavém aos trabalhadores antes da Greve Geral.

É bem evidente o propósito intimidatório e pressecutório. Em democracia é uma atitude inqualificável, para mais vinda de um eleito e que até é eleito a coberto de um "partido socialista". É um tique de insuportável intolerância, de um autoritarismo despropositado e de uma arrogância desorientada.

Mas é também revelador do tipo de gestão autárquica que é praticada. Se o trabalho extraordinário é moeda de troca, se assume o papel de prémio e/ou castigo aos trabalhadores, tal só pode significar que o conceito está completamente desvirtuado.

Aparentemente, na Junta de Freguesia de Sacavém, o trabalho extraordinário não tem lugar para se fazer o que a Cidade precisa, mas é um mero instrumento de poder descricionário do seu Presidente para premiar ou castigar trabalhadores.

QUE RAIO DE GESTÃO AUTÁRQUICA É ESTA ?

31/05/07

E, entretanto, o PDM de Loures continua à espera ?



O novo Plano Director Municipal de Loures deveria estar aprovado no final de 2004. Por razões que um dia a razão há-de revelar, a actual gestão da Câmara de Loures só quer empatar a sua revisão. Para garantir que a revisão do PDM não andaria mais depressa que o desejado, foi buscar para Director do PDM um homem que desse garantias de apenas ter 3 velocidades: devagar, devagarinho e parado.

E como aparentemente nada há para fazer no PDM de Loures, esse Director, foi para candidato do PS à Câmara de Lisboa. Seguramente, engrenou outra vez a velocidade "parado". Sendo candidato à autarquia da Capital quem é que tem tempo e cabeça para pensar em Loures, não é assim ?!...

E, ENTRETANTO, O PDM DE LOURES CONTINUA À ESPERA ?

30/05/07

Porque é que os senhores não jogam tranquilos ?



O Ministro do Desemprego e Insegurança Social e o Secretário de Estado da Privatização Pública têm-se esforçado por desvalorizar a Greve Geral em curso e, armados de sorriso amarelo, vão propalando a tese da "tranquilidade", qual Paulos Bentos da velha táctica "números ao molho e fé em deus".

Se é tanta a tranquilidade no país (seria de esperar outra coisa?) e está o Governo tão descansado, porquê o esforço e o sorriso amarelo dos governantes ?

Sofrem de peso na consciência, temem a próxima remodelação do governo ou apenas querem mostrar serviço ao chefe-corridinhas?

PORQUE É QUE ESTES SENHORES NÃO JOGAM TRANQUILOS ?