
Há coisas que todos os dias nos apetece perguntar. Mesmo que ninguém esteja disponível para responder. Perguntas há-as mais pertinentes e menos pertinentes, mas são sinal de inquietação. E se nos interrogamos e interrogamos sobre o mundo à nossa volta, é porque estamos vivos.
14/01/08
14/12/07
Porreiro, pá ?!...

Dizem os dirigentes políticos europeus e o nosso extremoso Sócrates que estamos Tratados. Ou seja, eles trataram do Tratado. Nós não tratámos de nada e certamente não iremos tratar. Não metemos prego nem estopa para a conversa. Assistimos apenas. Uns boquiabertos, outros indignados e outros ainda embevecidos com a parada de estrelas políticas que desfilaram pelos telejornais, o rocócó nacional de algumas ementas servidas às excelências, uma tímida viagem de eléctrico e até com as canetas de prata personalizadas com que o benfazejo documento foi assinado.
O que fica por saber – que as miudezas já nós bem dominamos (bendita comunicação social a nossa) – é o que é que afinal representa para nós, para o nosso dia-a-dia, para o nosso desenvolvimento, para o futuro do país, este tão aclamado – por alguns, daqueles que eu desconfio sempre, porque normalmente o que eles acham bom para mim, eu acho que só é bom para eles – tratamento, perdão, Tratado.
Em geral e apanhando pontas soltas conseguimos ficar a saber alguns dados objectivos:
· Vamos perder eurodeputados, portanto, reduzir a nossa representação política;
· Vamos perder o Comissário Europeu, portanto, reduzir a nossa representação política, o peso da participação e intervenção portuguesa na construção europeia;
· Vamos perder a Presidência rotativa – que vigorava até agora, logo capacidade de influência e marcação de agenda (pelo menos);
· Vamos perder a capacidade de vetar políticas e medidas que sejam contra o interesse nacional;
E o que vamos ganhar ? Objectivamente, são tudo incógnitas, dúvidas e esclarecimentos futuros. Os nossos governantes – e os deliciosos politólogos oficiais do regime – exprimem-se continuamente no sentido de que “contam que”, têm “a convicção que”, “provavelmente”, “pode ser que”. Só garantias, hein?!...
Isto é, têm a mais absoluta certeza na incerteza e, isto, apenas para não reconhecerem que Portugal não ganha nada neste novo rumo da União Europeia. No fundo, tudo o indica, os povos europeus não ganham nada com este tratamento, perdão, Tratado.
Alguém ganhará, por certo, dado o imenso foguetório e as canetas de prata. Lamentavelmente, desconfio que serão os suspeitos do costume e por isso até ficam com pele de galinha quando ouvem falar de referendo.
Irra, não vá o povo, que nada percebe destas coisas, que não vislumbra o enorme êxito político e diplomático alcançado, que coitadinho não sabe quais são os seus interesses, dizer que não quer nada disto. Cruzes canhoto!
Porreiro, pá ?!...
04/12/07
A maior Serra Ilegal da Europa Ocidental ?!...
Mas o verdadeiro recorde, o superlativo, o transcendente, que finalmente porá Portugal no seu justo lugar neste mundo complexo dos dias de hoje, está provavelmente a nascer silenciosamente, conscienciosamente, dedicadamente, encarecidamente e merecidamente no Concelho de Loures.
O actual Executivo Municipal já tentou várias vezes e de várias formas obter o seu recordezito, o seu minutito de glória, afinal um reconhecimento internacional, se não cósmico. Ele foi uma gritaria a propósito de um Casino; umas tropelias a respeito de uma Feira Popular, umas graçolas a propósito de um Hospital, umas tonterias a respeito de campos de golfe em cada escola e um sem número de outros episódios menores, que agora se entende não serem mais que puro aquecimento para a grande façanha, que se anuncia...
Tamtaramtamtam...
Pelo que me é dado a ver a grande aposta é fazer crescer, até à vitória recordística, a Serra da Alrota em Bucelas.
Vede bem pela fotografia junta, o despontar do sucesso. O primeiro grande aterro ilegal, que já supera largamente a vedação, foi integralmente conquistado pelo actual Presidente da Câmara e a sua rapaziada.
Os editores do Guiness Book of Records garantem que com tal feito Portugal já conquistou o afamado recorde "aterro acima de uma vedação posta no chão", mas que na verdade, a candidatura que receberam para futura homologação foi a de "a maior Serra da Europa Ocidental pós Guerra Fria", subscrita por toda a vereação sobre selo branco oficial e com um competente e indubitável despacho sob uma das assinaturas que reza assim: "Eu é que fui da ideia".
Será agora que vamos ter o nosso sonhado recorde ?
26/11/07
Temos por cá gente a pensar nisto ?!...
Por mão amiga, chegou-me da Alemanha, Munster, esta composição de imagens, bem elucidativa. A composição faz a comparação do espaço viário necessário para os seguintes meios de transporte: transporte individual, autocarro e bicicleta.
Como se diz na minha terra, até com os olhos se vê!
Aquilo que se passa em Portugal e em especial na Área Metropolitana de Lisboa, é uma aposta reiterada no transporte individual, no transporte rodoviário de mercadorias, no pleno enchimento das vias, com um sem número de horas perdidas em filas, com consumos milionários de combustíveis fósseis completamente desperdiçados, com contributos muito expressivos para a má qualidade do ar e para o aquecimento global. Ou seja, um disparate pegado.
Mas o futuro próximo, não só não promete nada de novo, como pelo contrário só se pode prever um desgraçado agravamento da situação. Por exemplo, na corda viária Sacavém-Vila Franca de Xira, suportada em 2 únicas estruturas viárias, a Estrada Nacional 10 e a Auto-estrada do Norte, a situação só pode piorar. E já está bastante má. A velocidade de serviço destas vias é tão baixa que devia levar os empresários e os residentes da zona a revoltarem-se e a exigir soluções consistentes e sustentáveis.
Note-se que a Estrada Nacional 10, mantém no essencial o mesmo espaço que tinha no tempo das carroças, mas serve agora um sem número de actividades económicas e milhares de utentes diários. Apresenta-se recortada por um número impar de cruzamentos, acessos, triângulos, rotundas, semáforos, passadeiras. Ou seja, circular é uma aventura tão desafiante como o Labirinto de Creta. Só que nenhum de nós é Teseu... e corremos mesmo o risco de morrer às mãos do Minotauro.
Repare-se bem que a construção na zona não pára e que todos os acessos às novas urbanizações, sejam habitacionais ou comerciais, despejam para a Nacional 10. O número de novos fogos autorizados a construir pelas Câmaras de Loures e Vila Franca de Xira deve ser astronómico e induzirá mais e mais trânsito individual.
Nenhuma destas Câmaras faz qualquer diligência para assegurar transportes alternativos, nem tão pouco para reservar espaço para que no futuro possam haver alternativas.
A via férrea tem sido progressivamente estrangulada e tem muito poucas hipóteses de ser equacionada de outra forma. Não há praticamente espaço para fazer novas estações; Não há um único corredor livre para instalar eléctricos rápidos; Os governos recusam-se a investir no metropolitano - é demasiado caro, dizem; Não há onde instalar vias "bus", para melhorar a velocidade de serviço dos autocarros; Nenhuma das autarquias, constrói vias cicláveis, para viabilizar pequenos percursos em bicicleta; Nem a Câmara de Loures, nem a de Vila Franca, nem mesmo a de Lisboa olham para o Rio Tejo como um recurso de transporte viável e sustentável.
Enfim, temos por cá alguém a pensar nestas coisas ?!...
Estamos mesmo bem entregues!
15/11/07
Caoscavém, é mais fiel não é ?!...
15/10/07
Será uma espécie de incontinência ?...
Que se passará na Câmara de Loures ?O actual presidente e vereação, chegaram ao poder e de imediato meteram em marcha a substituição de competentes técnicos e chefias, por rapaziada com cartão, supostamente, da sua confiança pessoal ou política.
Pouco lhes interessou se as pessoas eram capazes ou competentes, se eram dedicadas ou empenhadas, se nutriam simpatia pelo PS ou não. Estavam a trabalhar com as anteriores administrações ? Então, rua daqui!
E foi assim, que a Câmara de Loures caiu na desorganização, na incapacidade, no mimetismo, na inépcia em que se encontra.
Mas o curioso é que passados apenas alguns anos desta inenarrável gestão, se pode verificar a fuga contínua dos "recrutamentos" para chefias feitos pelo PS. Ou seja, mesmo aqueles que chegaram por amiguismo, cartonismo ou encostadismo, estão a pôr-se a milhas. Vejamos apenas alguns exemplos para corroborar o que se afirma:
Dra. Elisabete Brito - Directora de Departamento Sócio-Cultural;
Arqª Ana Simões - Chefe de Divisão de Educação e Juventude;
Arqº Jorge Catarino - Director de Departamento de Urbanismo;
Arqº Paulo Pais - Director do Departamento do Plano Director Municipal;
Arqº Miranda Correia - Chefe de Divisão de Habitação;
Dr. João Monteiro - Chefe de Divisão de Desporto;
e dizem-me que mesmo a mais recente aquisição dirigente, já está em debandada: a Mestra Ana Paula Assunção.
Será apenas uma espécie de incontinência ?
01/10/07
Fatalidade ?
E essa ausência de incidentes de cheias com significado, é o resultado directo das obras que as anteriores gestões da Câmara e dos SMAS ali realizaram, mas também da manutenção e limpeza que eram asseguradas.
É certo que dada a configuração da Praça da República que a conjugação da maré cheia com uma forte bátega de água, podem a todo o tempo ocorrer situações de inundação daquele largo, mas o que é absolutamente certo é que desta feita concorreu um terceiro factor importantíssimo e decisivo: o imenso aterro que está no cimo da Rua Salvador Allende, sobre a Ribeira do Prior Velho.
Ouvidas as declarações do Sr. Presidente da Câmara, numa coisa (a única de resto) se lhe pode dar razão: “a natureza procura sempre o seu espaço”. Ora aí estão, palavras sábias no meio do habitual vendaval de “a culpa é de todos menos minha”.
Então se a natureza procura sempre o seu espaço, porque autorizou a Câmara Municipal que o Sr. Presidente dirige, a invasão do espaço da natureza com aquele imenso e despropositado aterro? É fácil perceber que se quis facilitar a vida ao urbanizador que está a fazer os prédios em frente (faz-se tudo para facilitar a vida aos urbanizadores. Porquê?), permitindo-lhe que, com muito menos custos e trabalho desse destino a todas aquelas terras que retirou do outro lado, para fazer as fundações do seu empreendimento. Mas as consequências dessa leviandade aí estão! Sem apelo, nem agravo.
Estive lá e vi. As terras que encheram de lamas a Praça da República que atulharam as condutas até ao rebentamento, que fizeram jorrar as sarjetas, eram de um amarelo fresco e luminoso, como as do aterro da Rua Salvador Allende. Só podiam ter aquela origem.
Não encontrei ali, os lodos negros e mal cheirosos que habitualmente conspurcavam e atolavam tudo. Esses sim, vinham do Rio, esses sim consequência da maré cheia. Portanto, desta vez, não venham dizer-nos que é a fúria arbitrária dos elementos. Desta vez é a natureza a reconquistar o seu espaço e a Câmara de Loures estava avisadíssima para a possibilidade de ocorrências desta natureza.
É muito difícil perceber como se vai gastar uma fortuna num parque de estacionamento no sub-solo na Avenida Estado da Índia, como se vai gastar uma fortuna a criar 4-faixas de rodagem-4 e outras pipinoquices naquela artéria, quando se deixam essas vias estranguladas nos extremos e a Praça da República no desastre e no caos em que está. Não se conseguem perceber estas opções e estas orientações.
Portanto, não me venham cá com fatalidades. O que aconteceu e infelizmente há-de voltar a acontecer - e oxalá que nunca seja pior -, é consequência da acção humana, é resultado das decisões da Câmara Municipal, é o corolário de uma desastrosa (e até perigosa, pode começar a dizer-se) política de gestão do território.
Qual fatalidade ? Nem mesmo o facto de não ter conseguido encontrar nenhum dos vereadores da Câmara, residentes em Sacavém, no local do problema é uma fatalidade. É apenas consequência de escolhas e opções… humanas. A divindade nada tem que ver com isto!
23/09/07
Camiões repolhudos ?...
Poderosa e abençoada várzea esta. Desde que me conheço que oiço dizer que a várzea de Loures é de uma riqueza e capacidade agrícola incomparáveis. Durante décadas foi a mais importante fonte de abastecimento de hortícolas dos mercados de Lisboa e arredores.Chegados a Loures os tempos da massificação cimentífica eis que a várzea vai mostrando igualmente toda a sua capacidade, não já de produzir couves, cenouras, rabanetes e aparentados, mas de acolher e fazer brotar aterros ilegais, anulação de linhas de água (até às próximas cheias, cuidado! Depois queixem-se!...), urbanizações brutais e outras excrescências destes anos de cimento.
Extraordinária é agora a visão , a partir da Casa do Adro ou da Igreja Matriz de Loures, deste novo produto da terra fértil da várzea: um parque de camiões.
Não se sabe se isto é resultado da aposta municipal no desenvolvimento da logística selvagem, uma espécie muito em voga em países e regiões atrasadas que têm a ilusão que assim chegam e mais depressa a um dito "desenvolvimento". Coisa que ninguém viu, nem sabe o que é.
Mas a maior dúvida vem mesmo das ciências agronómicas: irá a Várzea de Loures passar a gerar camiões repolhudos ?
16/09/07
Medieval. E porque não ?

A uma panóplia de artistas de gabarito:
"O grupo musical Fernando Alves Trio abriu o programa animando o público presente. Muitos foram os que saltaram da cadeira para darem o seu pezinho de dança.Já a noite ia longa, quando subiu ao palco uma artista bem conhecida do público, Ágata, que cantou alguns dos temas mais famosos contando com o acompanhamento de pequenos e graúdos. (...) Fernando Marcos, (...) Carlos Teixeira, (...), Pedro Farmhouse, (...) António Pereira." (in Boletim Municipal nº 25)
Tudo tem sido estratégicamente estudado para dar elevada expressão turística a Sacavém, Moscavide, Bobadela e Prior-Velho, terras com elevado potencial para o efeito.
Sacavém, é hoje um verdadeiro atelier de artistas que desfazem, achincalham e espezinham a história, as tradições, as vivências e até os edifícios notáveis. Ao mesmo tempo e à boa maneira americana, tentam construir uma nova história, dar novas referências e dessocializar a comunidade das suas principais referências. E para que conste, estão a ter sucesso!
Porque não fazem a Feira Medieval na Rua dos Mastros ? Era, o mais adequado. Mas quem é que sabe onde é a Rua dos Mastros em Sacavém ?
E porque não uma Feira Medieval ? Note-se que é uma iniciativa praticamente inovadora. Assim, por alto, só se conhecem as poucas Feiras Medievais de:
Alfândega da Fé
Pelo que se percebe, os hotéis de Lisboa e arredores, estão já concentrados no aluguer de viaturas - e diz-se mesmo que de comboios especiais, mas disto não há ainda certeza - para transportar todos os seus hóspedes para a Feira Medieval de Sacavém.
Os hóspedes mais entusiamados com a iniciativa, dizem-nos, são os do Hotel de Sacavém. Pois, esse, o que já foi anunciado 73 vezes no Boletim Municipal!
Ora, com tantos atractivos turísticos, tantos hotéis, uma Cidade lindíssima e limpíssima, um rio transparente e um castelo altaneiro, pergunta-se:
Para quê o sarcasmo e as piadolas?
Porque não, uma Feira Medieval ?
09/09/07
Temos de engolir a hóstia ?
Mário Soares, incontornável referência do PS, acaba de ser nomeado pelo Governo PS, Presidente da Comissão de Liberdade Religiosa. Ironicamente, ao mesmo tempo, a Câmara Municipal de Loures, sob gestão do PS e/ou a Valorsul tutelada pelo Governo PS, desrespeitaram ostensivamente a Lei da Liberdade Religiosa.Na inauguração do Ecoparque de São João da Talha - equipamento "oferecido" pela Valorsul à Freguesia de São João da Talha em compensação pela construção da Central Incineradora nesta zona - no passado sábado, dia 8, a Igreja Católica Apostólica Romana teve o privilégio de um seu representante não apenas discursar em primeiro lugar, como de proceder à "bênção" do novo parque, segundo os rituais daquela confissão.
E tudo isto, muito formal, muito oficial e de certeza, a convite da Câmara de Loures ou da Valorsul ou de ambas as entidades.
O certo é que com esta atitude, tratando-se de um equipamento público, de uma cerimónia pública, pagos pelos dinheiros públicos configura grave infracção da Lei n.º 16/2001, de 22 de Junho (Lei da Liberdade Religiosa), cujo Artigo 4.º, Princípio da não confessionalidade do Estado, determina que:
"1 - O Estado não adopta qualquer religião nem se pronuncia sobre questões religiosas.
3 - O Estado não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes religiosas."
4 - O ensino público não será confessional."
Foi violado o princípio de nos actos oficiais e no protocolo de Estado será respeitado o princípio da não confessionalidade. Os cidadãos têm o direito de não ser confrontados e "obrigados" a conviver e participar em cerimónias inesperadas de confissões que não professam?
A Câmara de Loures e/ou a Valorsul violaram a lei ? Alguém vai assumir responsabilidades ? O Dr. Mário Soares vai pronunciar-se ? Ou independentemente da nossa vontade – cada vez que participarmos num acto oficial da Câmara de Loures - teremos de engolir uma hóstia, mesmo sem ter tomado o pequeno almoço ?

