Há coisas que todos os dias nos apetece perguntar. Mesmo que ninguém esteja disponível para responder. Perguntas há-as mais pertinentes e menos pertinentes, mas são sinal de inquietação. E se nos interrogamos e interrogamos sobre o mundo à nossa volta, é porque estamos vivos.
26/05/08
Será que nas próximas eleições autárquicas haverá listas para a administração da Parque Expo/parque das Nações?
Aí fica então o texto integral:
numa reunião com o então ministro Couto dos Santos, onde se analisou a hipótese de Portugal se candidatar à realização de uma Exposição Universal. Nessa reunião participaram também os presidentes das câmaras de Lisboa e Oeiras, respectivamente, Jorge Sampaio e Isaltino de Morais.A ideia, interessante à partida, tinha todas as condições para não vingar. Efectivamente, não havia então, no país, um referencial de experiência recente para coisa de tal quilate, e, fundamentalmente, porque o enquadramento partidário dos diferentes responsáveis políticos era o mais diverso possível: a presidência da república, a AR e o governo, e as três câmaras municipais, estavam distribuídas, respectivamente, pelo PS (Mário Soares), PSD (Cavaco Silva), e pelos supracitados presidentes de câmara que representavam o PS/PCP em Lisboa e o PSD em Oeiras, mais este, que se subscreve, do PCP.
Na reunião, depois de se comprovar a excelência da ideia, passou-se à primeira prova de fogo, ou seja, o local da realização. Havia três hipóteses: em Algés/Pedrouços junto ao Tejo, distribuída por varias pólos nas duas margens do estuário, e, finalmente, no local onde acabou por assentar. Convenhamos que, numa primeira leitura, o sítio Pedrouços/Algés era um forte candidato: menos trabalho a fazer e um presidente de câmara activo, experiente e... do PSD.
Foi possível escolher bem, e, neste caso, a solução que convinha a Loures. O facto de Lisboa estar a ser percorrida por uma lufada de ar fresco, onde a coligação presidida por Jorge Sampaio aportou uma nova visão estratégica para a capital (entretanto perdida quatro ou cinco anos depois), foi determinante. E Oeiras deu provas de ser elegante e sábia na derrota.
Durante todo o processo iniciado nesse ano, e não em 1993/94 como, por vezes, alguns fazem crer, ocorreram diversos momentos e assuntos críticos que, cada um por si, poderia ter condenado o evento. Num país em que a função política é frequentemente desconsiderada, talvez fosse interessante estudar o caso da EXPO 98, não apenas do ponto de vista do urbanismo, da economia, e do evento cultural propriamente dito, mas, também, na vertente da administração política. Para poder dar mais bons frutos.
Casos como o da avocação, pela Parque Expo, de certas competências municipais em matérias de gestão e planeamento urbanístico, a retirada do aterro (lixeira) de Beirolas e a respectiva construção da central de tratamento/incineração de S. João da Talha, a variante da EN 10, o próprio modelo financeiro (Custos Zero), ou, para ficar por aqui, a localização da segunda travessia rodoviária do Tejo, poderiam ter inviabilizado o projecto, caso não houvesse entendimento e decisões acertadas. Provámos que em política é possível decidir (razoavelmente) bem. Só depois de isso ter sido garantido foi possível viabilizar o trabalho de grande qualidade dos gestores, dos engenheiros e arquitectos, e tantos outros profissionais. Entre todos salientar Cardoso e Cunha, Torres Campos e Vassalo e Silva. Homens distintos entre si, todos assinaláveis na sociedade portuguesa. Do primeiro, retenho, entre vários aspectos, as conversas que tivemos em 1993/94, onde, logo de manhã cedo me confidenciava as suas grandes apreensões iniciais: - chegou a dizer-se convicto de que o primeiro-ministro lhe tinha entregado aquela missão, porque estaria inclinado a pensá-la perdida à partida. Bom, isto provavelmente foi apenas uma táctica do comissário para me sensibilizar. Mas era desnecessário.
Foi e é um sucesso, a EXPO 98 e o Parque das Nações. Contudo, poderia e deveria ter sido melhor caso não se tivesse afunilado o projecto na ideia de que ele não poderia ter custos públicos. O urbanismo, que é bom, seria melhor, e os moradores e comerciantes estariam servidos com os equipamentos e infra-estruturas em falta, coisa que sempre dissemos desde 1994. Está escrito nos diversos documentos.
Finalmente, dizer que me parece bizarro ainda hoje não estar regularizada a situação político-administrativa do Parque da Nações. Quando saí de Loures, em 1999, estava a um passo.
Será que nas próximas eleições autárquicas haverá listas para a administração da Parque Expo/parque das Nações?"
21/04/08
Terei eu razão ?
A voz técnica e presumo que independente que faz a denúncia do "exemplo negativo de Loures", certamente não é uma candidata às próximas eleições autárquicas. Se a exposição desta questão viesse de outro protagonista, poderia sempre ser levado à conta de interesse directo no desfecho das próximas eleições. Assim, não me parece.14/04/08
12/04/08
Arrefecer o "rabo" ao povo é o caminho?
Recorte de imprensa obtido no Jornal de Notícias
Quer a notícia do JN, quer mesmo a notícia do site da Câmara de Loures, levantam um conjunto de questões, que não podem deixar de ser formuladas, sobre esta "refrescante" iniciativa. Aí vão elas ?
Esta iniciativa é uma acção promocional do Loureshopping que a Câmara Municipal de Loures apoia ou é uma actividade desportiva da Câmara de Loures que o Loureshopping apoia?
Não está cada vez mais confusa esta relação entre Câmara e Loureshopping, em que não se percebe já quem é quem e quem faz o quê ?
Quanto é que já custou ao erário público esta "brincadeira turística" ?
Quantos contadores eléctricos e outras infraestruturas já ficaram a boiar no dito "parque verde", desde que andam a tentar instalar e almejada pista de gelo ?
Quantos horas de trabalho de pessoal municipal já investiu a Câmara de Loures para pôr a "coisa" de pé ? E já agora quantos kms foram percorridos pelas viaturas municipais e quantos litros de gasóleo foram consumidos ?
Qual será o consumo de energia eléctrica para o funcionamento do "brinquedo"?
Qual é a produção estimada de CO2 com o funcionamento do "escorrega"para o período de 12 de Abril a 11 de Setembro ?
Quantos "turistas" espera a Câmara de Loures trazer até ao Concelho com este seu envolvimento ?
Qual é o valor previsto arrecadar-se no Concelho de Loures em receitas de Turismo, com esta "delícia deslizante" ?
Como está a Câmara de Loures a pensar "incentivar a população à prática de desportos ao ar livre". Como gostava de conhecer a estratégia adoptada! Podem dizer-me por favor ?
Quem é que vai ganhar alguma coisa com isto ? O Centro Comercial ou a População ?
A ideia que a Câmara de Loures tem para participar na contenção do aquecimento global é fazer uma pista de gelo artificial para arrefecer o "rabo" ao povo ?
03/04/08
Informação ou desinformação ?
A imagem acima é da capa de um "livrinho" que a Câmara de Loures anda a distribuir, supostamente para informar que num futuro (incerto) em Sacavém se viverá melhor. Sugere-nos o Sr. Presidente da Câmara no seu artigo de abertura que estaremos perante "Sacavém, uma nova cidade a (re)nascer". Àparte o confuso trocadilho, releva a ideia que a brochura pretende transmitir que as obras da Avenida Esttado da Índia farão "(re)nascer" a Cidade.
Eis pois que o instrumento de comunicação que vimos referenciando, distribuido no início do ano e se calhar para distribuir por bem mais tempo (até às eleições, já que não tem data?), nos garante a conclusão do Quartel dos Bombeiros no primeiro trimestre de 2008. O primeiro trimestre esgotou-se com o dia 31 de Março e não há ainda a mais pálida ideia de quando estará concluída a infraestrutura.
É provavelmente mais um exemplo documentado, da ténue fronteira entre a obrigação de informar - que as autarquias têm - e a propaganda em que insistem dos seus supostos "grandes feitos".
E a questão é: informação ou desinformação?
14/03/08
06/03/08
Posso votar já?
Dizem-me que no passado dia 29 de Fevereiro o PS de Loures inaugurou uma nova sede. Parabéns. Compreende-se que quem tem tido tão elevado empenhamento no desenvolvimento imobiliário e urbanístico do Concelho, dê o exemplo e mude de casa com alguma regularidade para animar o mercado e fazer de conta que este casario todo é preciso.Dizem-me que nessa data, o Presidente da Câmara de Loures, eleito pelo PS, anunciou na comovente cerimónia que ali e naquele momento se abria a campanha eleitoral. Significativo, não ?!...
O PS na Câmara tem vindo a aferrolhar dinheiro no banco. O PS na Câmara tem vindo a empatar e a atrasar obras essenciais e que já outros antes deles haviam iniciado ou projectado. Só podia ter sofisma.
E aí está: começaram com os paineis publicitários já espalhados por todo o Concelho (pagos por nós), seguiu-se um Boletim Municipal (pago por nós) com 37 - fotografias - 37, com a ilustre figura do Sr. Presidente, dá-se agora o aviso solene do início do eleitoralismo puro (agradecemos a honestidade) e, preparemo-nos, porque vem aí um borbotão de inaugurações e outras cenaças.
Será que o Presidente da Câmara quer começar já a campanha eleitoral, porque já fez tudo o que prometia e tem pressa em fazer mais ?
Os bairros de génese ilegal já estão todos legalizados ?
As barracas no Concelho já não existem ?
Já constituiu a Associação de Desenvolvimento Local ?
Já delegou mais competências e meios nas Juntas de Freguesia ?
Já dotou o Concelho de ciclovias ?
Já criou a Polícia Municipal ?
Já lançou o Programa de Parques Residenciais ?
Já aumentou a Rede Viária Municipal ?
Já trouxe o Metropolitano até Sacavém ?
Já construiu a "CREL Ferroviária" ?
Já aumentou a rede dos Centros de Saúde ?
Já arranjou a forma expedita de construir o Hospital de Loures ?
Já desenvolveu a Rede de Equipamentos destinados ao Pré-escolar ?
Já alargou a rede de transportes escolares ?
Já tornou o turismo um sectro estratégico ?
Já valorizou o património arquitectónico e histórico-cultural ?
Já humanizou, modernizou e desborucratizou o funcionamento da Câmara ?
Já fez o Estádio do Grupo Sportivo de Loures ?
Já temos um campo de golfe em cada escola ?
Já concluiu as obras do Quartel dos Bombeiros de Sacavém ?
Já aí vem a Feira Popular ?
Já podemos contar com o Casino ?
Loures mantém-se como o 3º mais importante Município do país ?
Está tudo feito ? As promessas estão cumpridas ?
Então por mim, que comece a campanha eleitoral, e que se vote já. Esperar para quê ? Quanto mais cedo se começar outra vez a "mudança", um tal ciclo virtuoso, tanto melhor. Só temos a ganhar.
Para quê esperar pelas inaugurações ?
Posso votar já ?
25/02/08
Foi a geração J que inventou a geração L ?

12/02/08
Concordamos que a Câmara ande por aí 8 anos apenas a ganhar tempo?

Viva. A actual gestão da Câmara Municipal de Loures parece disponível para, pelo menos uma vez falar verdade sobre os seus designíos para o Município. E ainda consegue ser delicada.
Efectivamente, aí estão espalhados por todo o Concelho estes paineis publicitários a informar-nos que estão a ganhar tempo. E ainda pedem desculpa pelo incómodo...
Temos de concordar que parece estar-se perante uma nova atitude municipal.
Sendo certo que não se vê outra obra deste executivo municipal que não seja aquele bárbaro pavilhão comprado à EXPO-98 a preço do ouro e plantado no Parque da Cidade em Loures cujas obras se arrastam tanto ou mais que tantas outras, projectadas, negociadas e programadas pela anterior gestão, não podemos esquecer que até agora só temos tido a Câmara e os seus responsáveis a fingir que as obras em curso são da sua autoria e vontade e que não há mais obras porque não há dinheiro.
E assim, com esta expressividade plástica dos painéis publicitários, parece emergir uma outra estratégia de comunicação: dar a conhecer o que já era óbvio para todos nós. Ou seja, que a Câmara pegou nas ideias e projectos do anterior executivo e vai concretizá-los, arrastando-os no tempo até ao momento em que começando a cheirar a novas eleições, teremos um sem número de inaugurações.
Portanto, ganhar tempo, é a palavra de ordem que já estava em prática. Agora está assumida publicamente.
Pronto, não ficamos mais satisfeitos, mas sempre nos resta o conforto de não estarem a enfiar-nos dedos pelos olhos dentro.
Só resta saber: Concordamos que a Câmara ande por aí 8 anos apenas a ganhar tempo?

