28/07/08

Jardim vira Aterro ?


O texto que de seguida se pode ler, é aquele que ainda consta do site oficial da Câmara Municipal de Loures. Note-se que o título preserva também ainda, o lema que levou à transformação do antigo Aterro Sanitário em Parque Urbano: "Aterro vira Jardim".

"Parque Urbano de Santa Iria de Azóia
De lixo a Jardim



Entre Junho de 1988 e Junho de 1996, o Aterro sanitário de Santa Iria de Azóia recebeu resíduos sólidos urbanos produzidos nos concelhos de Loures e Vila Franca de Xira.


Para preparar convenientemente os terrenos para a deposição dos lixos, o Município de Loures procedeu a trabalhos de impermeabilização, no sentido de impedir a infiltração de líquidos e a contaminação das linhas de água subterrâneas. Durante o processo de exploração, os resíduos eram descarregados e compactados, formando células que eram depois cobertas com terras.


O lixo, após enterrado, decompunha-se, originando líquidos poluentes (águas lixiviantes) e gases (biogás). As águas lixiviantes foram captadas e conduzidas aos colectores municipais, após decantação, e o biogás, recolhido e conduzido por tubos até um queimador.


Depois da sua exploração, as células foram progressivamente seladas. Esgotada a capacidade do aterro, e após completada a selagem, o Município avançou para a sua reconversão em Parque Urbano.

A solução encontrada para a sua reconversão em Parque Urbano, constituiu uma experiência pioneira, ainda hoje única em Portugal, valorizando um espaço, equivalente a 35 campos de futebol, com potencialidades ambientais e de lazer ímpares na Área Metropolitana de Lisboa.


A 21 de Outubro de 2000, o Parque Urbano de Santa Iria de Azóia abriu as suas portas ao público, contribuindo de forma exemplar para o aprofundamento da noção de que não só é possível, como desejável, trabalhar objectivamente na defesa, promoção e valorização dos aspectos ambientais determinantes para o bem estar da população.

A 26 de Agosto de 2002 a gestão do Parque Urbano de Santa Iria de Azóia passa para a responsabilidade do Departamento do Ambiente da Câmara Municipal de Loures, que desde logo procedeu a várias intervenções de beneficiação, procurando assim proporcionar aos visitantes a plena fruição deste excelente espaço
."

in http://www.cm-loures.pt/aa_AmbienteInfraEstrutMun2.asp


A realidade vigente parece indiciar que agora, com a gestão do actual Executivo municipal, vamos ter um novo lema: "Jardim vira Aterro". As fotografias obtidas, neste mês de Julho de 2008 são a mais forte evidência de que esse caminho está a ser percorrido velozmente.



Para além do pujante mato que desponta por todo o lado, montes de resíduos já se espalham por expressiva área do Parque Urbano, que assim vai ficando cada vez mais parecido com o velho Aterro.

Será mais um caso em que o Município de Loures andou à frente, foi pioneiro, teve reconhecimento nacional e, agora faz marcha a trás ?

Jardim vira Aterro ?!...



12/07/08

E o Sr. Presidente da Câmara pensa o quê ?

Há silêncios muitíssimo ruidosos. Que pensa o Sr. Presidente da Câmara sobre os problemas que têm vindo a assolar a Quinta da Fonte ? Será que estas coisas têm alguma coisa a ver também com a desistência da Câmara em relação às políticas e acções municipais de integração social ? Será que também tem influência ter prescindido de agir preventivamente na Quinta da Fonte ?

Seria da maior desonestidade intelectual atribuir culpas ao actual executivo municipal, por problemas desta natureza. Tal como será gritantemente desonesto atribuir culpas a outros, antecedentes ou vindouros. Os problemas são complexos, têm muitas raízes, razões e consequências.

Todavia, o que é incontornável, para além da constatação dos factos, é que são precisas políticas activas, consistentes, participadas e continuadas para se obterem efeitos futuros, diversos destes. A nível local, mas também e, sobretudo, a nível nacional.

Por isso, incomoda o silêncio do Sr. Presidente da Câmara. Preocupa que não tenha propostas, preocupa que não tome a iniciativa, desilude que não reclame apoios para enfrentar os problemas, desilude que não exija solidariedade institucional prática do Governo.

Para resolver o sentimento de infelicidade que perpassa pelas crianças de Loures, o Sr. Presidente propunha-se enviar-lhes palhaços.

Arrepia a expectativa e a espera de qual pode ser a sua solução para problemas desta natureza.

Até por causa desta nossa angústia, ganharia o Sr. Presidente em vir a público.

Afinal, o Sr. Presidente da Câmara de Loures pensa o quê ?

28/05/08

Presidente-Tartaruga ?

A impagável sabedoria popular e camponesa de Bucelas, proporciona-nos esta pérola de lucidez, que não resisto a partilhar com todos os leitores deste blogue:

A coisa passa-se no Centro de Saúde de Bucelas, durante a consulta a que estava a ser submetido o experimentado e “vivo” bucelense. Colestrol para cima, diabetes para baixo, a vida do dia-a-dia vem à baila na conversa com a médica de família.

- Oh Dra. temos agora pr’aí um Presidente da Câmara que é uma tartaruga em cima de um poste…

A médica não escondeu a surpresa perante o comentário. Se Bucelas é terra de vinho e não de tartarugas!...

- Que é isso de tartaruga em cima de um poste ? - perguntou

O astuto bucelense explicou:

- Uma tartaruga em cima de um poste, é quando a senhora vai por uma estrada ou caminho e vê um poste da vedação, em arame farpado, com uma tartaruga equilibrando-se em cima dele. Isso é que uma tartaruga em cima de um poste...

- Tá a brincar comigo, não?!... – replicou a médica atónita

O homem não desarmou e continuou a explicação:

- Diga-me lá se não concorda comigo,

Ninguém percebe como o “bicho” lá chegou!

Não se consegue acreditar que o “bicho” esteja lá!

Todos sabemos que ele não subiu para lá sozinho!

O povo sabe que ele não deveria, nem poderia estar lá!

É certo que ele não vai fazer absolutamente nada enquanto estiver lá!

Então tudo o que temos a fazer é ajudá-lo a descer de lá!

Vamos a isso ?

26/05/08

Levava-lhe um cigarrinho à prisão ?!...

Para o Best of...

Será que nas próximas eleições autárquicas haverá listas para a administração da Parque Expo/parque das Nações?

O assunto é oportuno e pertinente, por isso, com a devida vénia, ao Expresso e ao Eng. Demétrio Alves, reproduzo aqui o texto publicado publicado no passado dia 22 de Maio. A pergunta final, não apenas se inscreve no espiríto deste blogue, como é uma questão incontornável para todos quantos acompanham a e(in)volução do Parque das Nações.


Aí fica então o texto integral:

"No primeiro trimestre de 1990 tive a oportunidade de participar, em Sete Rios, numa reunião com o então ministro Couto dos Santos, onde se analisou a hipótese de Portugal se candidatar à realização de uma Exposição Universal. Nessa reunião participaram também os presidentes das câmaras de Lisboa e Oeiras, respectivamente, Jorge Sampaio e Isaltino de Morais.

A ideia, interessante à partida, tinha todas as condições para não vingar. Efectivamente, não havia então, no país, um referencial de experiência recente para coisa de tal quilate, e, fundamentalmente, porque o enquadramento partidário dos diferentes responsáveis políticos era o mais diverso possível: a presidência da república, a AR e o governo, e as três câmaras municipais, estavam distribuídas, respectivamente, pelo PS (Mário Soares), PSD (Cavaco Silva), e pelos supracitados presidentes de câmara que representavam o PS/PCP em Lisboa e o PSD em Oeiras, mais este, que se subscreve, do PCP.

Na reunião, depois de se comprovar a excelência da ideia, passou-se à primeira prova de fogo, ou seja, o local da realização. Havia três hipóteses: em Algés/Pedrouços junto ao Tejo, distribuída por varias pólos nas duas margens do estuário, e, finalmente, no local onde acabou por assentar. Convenhamos que, numa primeira leitura, o sítio Pedrouços/Algés era um forte candidato: menos trabalho a fazer e um presidente de câmara activo, experiente e... do PSD.

Foi possível escolher bem, e, neste caso, a solução que convinha a Loures. O facto de Lisboa estar a ser percorrida por uma lufada de ar fresco, onde a coligação presidida por Jorge Sampaio aportou uma nova visão estratégica para a capital (entretanto perdida quatro ou cinco anos depois), foi determinante. E Oeiras deu provas de ser elegante e sábia na derrota.

Durante todo o processo iniciado nesse ano, e não em 1993/94 como, por vezes, alguns fazem crer, ocorreram diversos momentos e assuntos críticos que, cada um por si, poderia ter condenado o evento. Num país em que a função política é frequentemente desconsiderada, talvez fosse interessante estudar o caso da EXPO 98, não apenas do ponto de vista do urbanismo, da economia, e do evento cultural propriamente dito, mas, também, na vertente da administração política. Para poder dar mais bons frutos.

Casos como o da avocação, pela Parque Expo, de certas competências municipais em matérias de gestão e planeamento urbanístico, a retirada do aterro (lixeira) de Beirolas e a respectiva construção da central de tratamento/incineração de S. João da Talha, a variante da EN 10, o próprio modelo financeiro (Custos Zero), ou, para ficar por aqui, a localização da segunda travessia rodoviária do Tejo, poderiam ter inviabilizado o projecto, caso não houvesse entendimento e decisões acertadas. Provámos que em política é possível decidir (razoavelmente) bem. Só depois de isso ter sido garantido foi possível viabilizar o trabalho de grande qualidade dos gestores, dos engenheiros e arquitectos, e tantos outros profissionais. Entre todos salientar Cardoso e Cunha, Torres Campos e Vassalo e Silva. Homens distintos entre si, todos assinaláveis na sociedade portuguesa. Do primeiro, retenho, entre vários aspectos, as conversas que tivemos em 1993/94, onde, logo de manhã cedo me confidenciava as suas grandes apreensões iniciais: - chegou a dizer-se convicto de que o primeiro-ministro lhe tinha entregado aquela missão, porque estaria inclinado a pensá-la perdida à partida. Bom, isto provavelmente foi apenas uma táctica do comissário para me sensibilizar. Mas era desnecessário.

Foi e é um sucesso, a EXPO 98 e o Parque das Nações. Contudo, poderia e deveria ter sido melhor caso não se tivesse afunilado o projecto na ideia de que ele não poderia ter custos públicos. O urbanismo, que é bom, seria melhor, e os moradores e comerciantes estariam servidos com os equipamentos e infra-estruturas em falta, coisa que sempre dissemos desde 1994. Está escrito nos diversos documentos.

Finalmente, dizer que me parece bizarro ainda hoje não estar regularizada a situação político-administrativa do Parque da Nações. Quando saí de Loures, em 1999, estava a um passo.

Será que nas próximas eleições autárquicas haverá listas para a administração da Parque Expo/parque das Nações?"

21/04/08

Terei eu razão ?

Confesso que já começava a recear que só eu visse o óbvio. Pior, já pensava que o que eu tinha para mim como óbvio, não fosse mais do que produto da minha imaginação. Na minha idade poderia ser um sinal (preocupante) de envelhecimento precoce ou algo mais grave.


A notícia que segue, tranquiliza-me e preocupa-me. Recupera-me a confiança no meu estado de saúde mental. Abala-me ainda mais a esperança que estejamos a aproximar-nos de um caminho certo no ordenamento do território e busca de qualidade de vida.


A voz técnica e presumo que independente que faz a denúncia do "exemplo negativo de Loures", certamente não é uma candidata às próximas eleições autárquicas. Se a exposição desta questão viesse de outro protagonista, poderia sempre ser levado à conta de interesse directo no desfecho das próximas eleições. Assim, não me parece.

Donde resulta que só posso concluir que há mais quem veja o mesmo que eu e que provavelmente terei razão na minha insistência de que o Concelho de Loures está a ser urbanísticamente massificado, que não há nenhuma busca de equilíbrios, que não há qualquer preocupação ambiental e ecológica.
Terei eu razão ?

14/04/08

E o Hospital de Loures ?

Diga-nos lá Sr. Presidente da Câmara: E o Hospital de Loures ?

12/04/08

Arrefecer o "rabo" ao povo é o caminho?


Proclamam os jornais, anuncia a Câmara de Loures que vai inaugurar uma pista de gelo no Parque Verde (?) do Loureshopping.

Recorte de imprensa obtido no Jornal de Notícias


Quer a notícia do JN, quer mesmo a notícia do site da Câmara de Loures, levantam um conjunto de questões, que não podem deixar de ser formuladas, sobre esta "refrescante" iniciativa. Aí vão elas ?

Esta iniciativa é uma acção promocional do Loureshopping que a Câmara Municipal de Loures apoia ou é uma actividade desportiva da Câmara de Loures que o Loureshopping apoia?

Não está cada vez mais confusa esta relação entre Câmara e Loureshopping, em que não se percebe já quem é quem e quem faz o quê ?

Quanto é que já custou ao erário público esta "brincadeira turística" ?

Quantos contadores eléctricos e outras infraestruturas já ficaram a boiar no dito "parque verde", desde que andam a tentar instalar e almejada pista de gelo ?

Quantos horas de trabalho de pessoal municipal já investiu a Câmara de Loures para pôr a "coisa" de pé ? E já agora quantos kms foram percorridos pelas viaturas municipais e quantos litros de gasóleo foram consumidos ?

Qual será o consumo de energia eléctrica para o funcionamento do "brinquedo"?

Qual é a produção estimada de CO2 com o funcionamento do "escorrega"para o período de 12 de Abril a 11 de Setembro ?

Quantos "turistas" espera a Câmara de Loures trazer até ao Concelho com este seu envolvimento ?

Qual é o valor previsto arrecadar-se no Concelho de Loures em receitas de Turismo, com esta "delícia deslizante" ?

Como está a Câmara de Loures a pensar "incentivar a população à prática de desportos ao ar livre". Como gostava de conhecer a estratégia adoptada! Podem dizer-me por favor ?

Quem é que vai ganhar alguma coisa com isto ? O Centro Comercial ou a População ?

A ideia que a Câmara de Loures tem para participar na contenção do aquecimento global é fazer uma pista de gelo artificial para arrefecer o "rabo" ao povo ?

03/04/08

Informação ou desinformação ?

A imagem acima é da capa de um "livrinho" que a Câmara de Loures anda a distribuir, supostamente para informar que num futuro (incerto) em Sacavém se viverá melhor. Sugere-nos o Sr. Presidente da Câmara no seu artigo de abertura que estaremos perante "Sacavém, uma nova cidade a (re)nascer". Àparte o confuso trocadilho, releva a ideia que a brochura pretende transmitir que as obras da Avenida Esttado da Índia farão "(re)nascer" a Cidade.

Se o Sr. Presidente pensa francamente o que diz, cabe-me adverti-lo de que está a forjar e a caír no seu próprio logro. Bem sabemos que não morre de amores por Sacavém, pela zona oriental do Concelho e muito pouco conhece desta zona do Município que dirige, mas talvez por isso devesse ser mais rigoroso e contido.

Se o que está é a fazer de conta para convencer eleitor, então compreender-se-á melhor que queira fingir que uma mera obra - com muitos meses de sacríficios para muitos sacavenenses e outros utentes da Cidade e excessivamente cara - mudará a face de Sacavém e lhe dará por si só uma nova dinâmica e vida melhor.

Creio que o que Sacavém precisa para uma vida melhor, é, infelizmente, bem mais do que uma catastrófica obra pública. A obra qualificará a zona, não duvido, mas está longe, muito longe de trazer uma nova vida.

Note-se que até a própria obra - para além do "alindamento" e algum benefício para o estacionamento - resultará muito pouco em termos viários e de acessibilidade de e para a Cidade. Em termos gráficos, diria que esta obra, feita assim, tranforma a Avenida Estado da Índia numa "chouriça": um percurso curvo e largo, atado nas pontas. Numa ponta a ponte sobre o Rio Trancão que faz um "atilho" e na outra ponta, o atilho é garantido pela entrada na Portela junto aos "ferro-velhos".

Acabem lá a obra, é bem vinda, mas não nos digam que é para trazer uma vida nova. Uma vida nova poderia vir, conjugando outras acções com a obra. Por exemplo, evitar a urbanização do antigo quartel e dar espaço e respiração à Cidade, abrir o acesso à 2ª circular, dinamizar um projecto de urbanismo comercial, retomar o Plano de Salvaguarda de Sacavém, definir e desenvolver uma política cultural e de salvaguarda do património, conferir dimensão desportiva à Cidade. São apenas alguns aspectos que, estes sim, mudariam a face de Sacavém.

A propósito de acabar a obra, conviria que o "livrinho" - que curiosamente não tem data de edição (coisa que nunca tinha visto em publicações da Câmara Municipal de Loures) - tivesse sido uma fonte fidedigna de informação e não uma comprovada fonte de desinformação. Para além do que já referi, veja-se o que nos é dito a propósito do Quartel dos Bombeiros. Reproduzo as imagens e as datas, para que cada um o confirme:


Eis pois que o instrumento de comunicação que vimos referenciando, distribuido no início do ano e se calhar para distribuir por bem mais tempo (até às eleições, já que não tem data?), nos garante a conclusão do Quartel dos Bombeiros no primeiro trimestre de 2008. O primeiro trimestre esgotou-se com o dia 31 de Março e não há ainda a mais pálida ideia de quando estará concluída a infraestrutura.


É provavelmente mais um exemplo documentado, da ténue fronteira entre a obrigação de informar - que as autarquias têm - e a propaganda em que insistem dos seus supostos "grandes feitos".

E a questão é: informação ou desinformação?